Arquivo do mês: janeiro 2011

Uma metáfora, um clichê…

Poucas gotas cismavam em não desabar de vez daquele céu que era ensolarado a oeste, nublado a leste. Monótonos são os passos, não a vista. A paisagem se encarrega das surpresas, que tantas vezes são a única fonte de ânimo para os próximos 10m.

E era uma subida.

Dessa vez, eu torcia pela chuva que não veio. Mas, contrariando minhas rimas saudosas de infância, lá estava um arco-íris. Bem no lado nebuloso do céu. De repente, cores explodiram na minha mente. Uma confusão sinestésica de dar inveja a Albert Hofmann. A música nos meus fones ganhou outra conotação. Eu só tinha um pensamento: preciso alcançar aquele arco-íris.

Colocar isso no papel faz parecer tolo, acabei de perceber. Mas, na hora, foi impossível afastar a sensação. Olhei o frequencímetro – estável, então vambora. A respiração ainda ofegante, mas o objetivo estava traçado.

Terminei meu aclive e me preparei para mais 3km antes de descalçar os tênis. Na descida, organizei melhor a cachola. Chegar até um arco-íris, mas que ideia… Aproveitei o vento e ergui os braços, soltei o pescoço e me permiti um sorriso por aquela constatação.

Quem vinha na contramão entendeu nada. Toda suada, ofegante, vermelha… E ainda assim, eu teimava em sorrir. Alguns chamam de serotonina. Pode ser. No entanto, foi a certeza de que eu havia chegado a uma conclusão óbvia e perfeita que me fez esquecer as dores e o cansaço.

Gosto de me sentir criança, de cultivar uma certa inocência ao meu redor. Dessa vez, foi sem querer. Essa noção maluca de que, se eu continuar sempre com a intenção de alcançar o arco-íris, nunca vou parar. Serviu-me como uma luva.

Um clichê também tem sua beleza… É só olhar com olhos certos.

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Arquivado em corrida, rotina

5.87’/km

O ano novo começou diferente.

Abri a janela do meu primeiro domingo de 2011 com uma certa tristeza. “Devia ter trazido meu tênis”, pensei. Mas chovia (como chove nestes dias!) e me conformei em aproveitar o descanso antes de mais 5h de estrada.

Além disso, havia prometido a mim mesma esperar até a segunda-feira para voltar aos treinos, parados já há uma semana. Isto por causa da dor. Todos têm alguma. A minha começou a me preocupar… Então, decidi dar um tempo para o corpo voltar ao normal. “Amanhã. Amanhã.”

Ainda cansada por causa das festas, tirei um cochilo no final da tarde. Acordei assustada. Sem chuva. Sorri.

Já estava tarde, mas que se dane! A primeira segundona do ano pedia, implorava, pelo vento no rosto, a respiração acelerada e a sensação de dever cumprido.

Calcei o tênis, a roupa de ginástica, ajustei meu frequencímetro, prendi o cabelo. Andei por uns 5 minutos, pra aquecer. Só aí, finalmente, dei meu primeiro passo para os primeiros 8km do meu novo ano.

"The obsession with running is really an obsession with the potential for more and more life." - Sheehan

Parece que os dias de descanso fizeram diferença! A parte anterior da panturrilha já não reclamava. O tempo no meu cronômetro parecia mais lento, mas percebi que era eu quem corria mais rápido. Outra onda de sorrisos. O cansaço não veio. Agora sim, 2011 tinha, de fato, começado!

Cheguei em casa radiante. O motivo? Meu tempo. Pela primeira vez, fiz menos de 6min/km em um treino. 8km. 47 minutos.

 

E eu que pensava que nunca os números me trariam felicidade…

Isso foi antes de começar a correr.

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