Arquivo do mês: abril 2011

Reflexões de fim de noite

O que nos faz amar alguém? Pergunta complexa… Mas a resposta é simples, quando a gente pensa bem: qualquer coisa faz.

Um sorriso inesperado quando o mundo era preto e branco. Uma ligação em meio ao silêncio. Um encaixe perfeito de mãos. Uma tentativa que não foi perfeita de cara, mas persistiu e funcionou.

(Quem dá mais?!)

E tudo isso pode estar em mil lugares ao mesmo tempo. Em mil pessoas. Mil amores! Diferentes, únicos, interligados e jamais anuladores uns dos outros.

Eu, que dizia “te amo não é bom dia”, tão convicta e cheia de razão, me pego hoje amando demais, o bastante para partilhar e dar parte desse amor a cada pessoa que faz do meu dia uma novidade. Esse amor um pouco ingênuo, um pouco incrível e outro tanto verdadeiro.

Que bobagem a minha… Amar é, sim, um ótimo bom dia. É, pra falar bem a verdade, o que torna cada segundo suportável e válido em meio a tanta revolta, conformismo, intolerância. É o que nos põe fortes, independentemente do que tenha na mesa. Dá coragem e, só por isso, já dá mais que muita coisa.

Amar é uma dádiva. Felizes dos que cultivam o amor por cada um que conquista um tiquinho que seja da nossa admiração, do nosso respeito. Felizes dos corações que entregam batidas para quem acreditam serem merecedores, sem pedir nada em troca. Felizes dos peitos que recebem abraços de reciprocidade e conseguem respirar tranquilos nessa vida de inquietude. Felizes das almas que repousam em paz e ignoram o que os ouvidos escutam, pois todo julgamento é sem valor quando feito pelas costas.

Minha conta é com minha consciência. E nós duas temos nos entendido muito bem, obrigada. Afinal… Amar demais é o único exagero permitido.

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Um papo com o Tempo

Foi como um sonho.

Tive uma conversa com o Tempo. É, o Tempo, com um T bem maiúsculo, todo cheio de si e das peripécias que apronta em nossas vidas.

Mas, dessa vez, tive alguma ajuda para conseguir trocar algumas palavras com esse senhor. Ele não me deu muitas respostas, mas ouviu com bastante paciência o que eu tinha a dizer.

Eu falei sobre as loucuras dessa vida traiçoeira, que não volta pra trás nem mostra o que há à frente. Das paixões que acabam tão rápido quanto começam. Da saudade que faz arrastar os minutos. Da ida que demora e a volta que passa muito mais rápido. Da ansiedade controlando os ponteiros do relógio. Da ditadura da pontualidade.

Assumi então, meio a contragosto, que a culpa dessa loucura do Tempo é nossa. Somos nós mesmos quem deixamos nosso cotidiano e nossa vibe intervir no decorrer das horas. Maldita sina de querer estar sempre em oitenta lugares ao mesmo tempo!

O coração divide, a mente busca e o Tempo, coitado, precisa passar como sempre, apesar de nossa pressão constante para que ele vá ora mais devagar, ora mais ligeiro, dependendo da nossa vontade de permanecer no presente ou saltar logo para o futuro.

E, para completar o balaio, estava cara a cara com o Tempo quando caiu-me a ficha sobre o passado. Como ele pesa. Como ele age como se fosse a gravidade, puxando a lembrança e forçando um rosto, uma voz, um toque que seja, a permanecer na superfície da alma. Como ele faz doer e impõe a certeza de que estamos vivendo da única maneira possível em meio a tantas possibilidades, tendo que trilhar um caminho, cegamente, sem jamais ter a chance de mudar a opção feita ou vislumbrar por um segundo o futuro depois dessa ou daquela escolha.

De repente, estou presa nas minhas memórias. Aqui, nesse espaço maluco no qual o Tempo interage comigo, eu posso vivê-las de novo. Sinto. Provo. Pego. Suspiro. Choro. Sorrio. É um presente eterno e um presente do Tempo me permitir ter de novo essas sensações.

Um feixe de luz incomoda meus olhos. E, simples assim, o momento passa, como uma brecha no tempo; um pedaço de sonho saído do sono, escapulido do nada e tomado de volta pelo devaneio ao qual pertence…

Que seja eterno enquanto dure.

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