Um papo com o Tempo

Foi como um sonho.

Tive uma conversa com o Tempo. É, o Tempo, com um T bem maiúsculo, todo cheio de si e das peripécias que apronta em nossas vidas.

Mas, dessa vez, tive alguma ajuda para conseguir trocar algumas palavras com esse senhor. Ele não me deu muitas respostas, mas ouviu com bastante paciência o que eu tinha a dizer.

Eu falei sobre as loucuras dessa vida traiçoeira, que não volta pra trás nem mostra o que há à frente. Das paixões que acabam tão rápido quanto começam. Da saudade que faz arrastar os minutos. Da ida que demora e a volta que passa muito mais rápido. Da ansiedade controlando os ponteiros do relógio. Da ditadura da pontualidade.

Assumi então, meio a contragosto, que a culpa dessa loucura do Tempo é nossa. Somos nós mesmos quem deixamos nosso cotidiano e nossa vibe intervir no decorrer das horas. Maldita sina de querer estar sempre em oitenta lugares ao mesmo tempo!

O coração divide, a mente busca e o Tempo, coitado, precisa passar como sempre, apesar de nossa pressão constante para que ele vá ora mais devagar, ora mais ligeiro, dependendo da nossa vontade de permanecer no presente ou saltar logo para o futuro.

E, para completar o balaio, estava cara a cara com o Tempo quando caiu-me a ficha sobre o passado. Como ele pesa. Como ele age como se fosse a gravidade, puxando a lembrança e forçando um rosto, uma voz, um toque que seja, a permanecer na superfície da alma. Como ele faz doer e impõe a certeza de que estamos vivendo da única maneira possível em meio a tantas possibilidades, tendo que trilhar um caminho, cegamente, sem jamais ter a chance de mudar a opção feita ou vislumbrar por um segundo o futuro depois dessa ou daquela escolha.

De repente, estou presa nas minhas memórias. Aqui, nesse espaço maluco no qual o Tempo interage comigo, eu posso vivê-las de novo. Sinto. Provo. Pego. Suspiro. Choro. Sorrio. É um presente eterno e um presente do Tempo me permitir ter de novo essas sensações.

Um feixe de luz incomoda meus olhos. E, simples assim, o momento passa, como uma brecha no tempo; um pedaço de sonho saído do sono, escapulido do nada e tomado de volta pelo devaneio ao qual pertence…

Que seja eterno enquanto dure.

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2 Comentários

Arquivado em histórias, tempo, velocidade

2 Respostas para “Um papo com o Tempo

  1. Gaby Plata

    Bendita garota q me faz pensar…
    Iluminda…
    Vai ter q me aguentar… heheheh

    Amo…

  2. Nossa hein, como sempre belos textos e muito inspiradores também…
    O tempo é feito para ser vivido, é feito para ser aproveitado. Mas ele nunca vai decidir o seu caminho, quem faz isso é você.
    O Tempo é uma dádiva que nos foi dada para poder aproveitar a vida, por isso que ele deve ser usado com muita sabedoria, mas ninguém é tão bom ou tão suficiente que não possa se arrepender dos caminhos tomados de forma que não possa mudá-los, ao decorrer do próprio Tempo.
    É lógico que o tempo passado jamais será vivido novamente, mas cabe a você, ou no caso a todos nós, aproveitarmos o novo tempo que nos é dado a cada segundo da melhor forma possível, da forma que mais nos deixará alegre, afinal de contas, a vida é muito curta para não ser vivida intensamente 😉
    beijão e continue escrevendo assim ein ^^

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