Arquivo do mês: maio 2011

Palavras proibidas

Não é como se eu não tivesse ensaiado cada um desses movimentos. Ensaiei. Me olhei no espelho, encarei fundo meu olhar, desafiei a alma. Ela vinha toda cheia de jogo de cintura e assim não dá: ou cá ou lá, ou sim ou não, ou nunca ou sempre. Preciso de respostas. Afinal, deve haver alguma obviedade no meio de tanta confusão produzida pela minha própria mente.

Uma canção qualquer começa na playlist. Aquela frase, embaralhada no meio de tantas outras, que a princípio não tem sentido algum, faz esquentar o coração. Ah, como é verdade… Cada minuto distante é tempo perdido e eu detesto perder tempo. Mas essa descoberta fica na música. O minuto passa, começa o refrão, tudo volta a não fazer sentido. Ou faz tanto que prefiro esquecer…

Sou a favor do silêncio. Acredito no poder das palavras não ditas. Alguns momentos simplesmente não as permitem. Um olhar basta, um abraço, um sorriso – seja ele feliz ou triste. Nessas horas, a palavra estraga. É como ouvi um dia num filme… “Don’t. You’ll ruin it“.

Difícil, entretanto, é saber diferenciar as horas que pedem palavras daquelas que não… Se, em determinadas situações, o silêncio é a única saída, em outras, ele é a pior. “___________” Qual palavra encaixo aqui mesmo? Uau. É impressionante quantos significados um silêncio pode receber.

Qual deles teremos para hoje?

E esse é o problema do não-dizer. Imaginar o que isso significa depende de tudo – do filme que tá passando, de quantas pessoas estão à volta, do lugar onde se está… E aí, fica fácil decidir que, no fim das contas, não se tem a menor ideia do que o outro pensa sobre coisa alguma.

(There’s a lot of great ways to keep lips sealed…)

Indiretas não funcionam. Palavras soltas em uma timeline (como estamos modernos, não!?) não funcionam. Uma postagem nunca fará o papel de uma carta, com remetente e destinatário, que registra ali, preto no branco, o que o coração anda pensando. Nada nesse mundo substituirá o impacto do olho no olho e das palavras ouvidas em tempo real: “…”

Mas é surpreendente como a preferência acaba sendo pelas reticências, por exclamações e interrogações de expressões faciais ou, simplesmente, pelo silêncio. Até quando nos fingiremos despreocupados, como se nada realmente tivesse muita importância?

#simplifique

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