Free your soul.

Nascemos livres. Dura questão de segundos. Depois disso, uma sucessão interminável de amarras toma conta de nossos pensamentos, desejos e sonhos. Cada um sabe o vento mais forte que lhe desvia o curso e como às vezes é impossível aguentar firme. Cada um tem a inigualável missão de aceitar novos caminhos, tenham eles as curvas ou percalços que tiverem. Compreender a marcha, tocar em frente, assim como canta o grande poeta violeiro Almir Sater.

Em alguma hora, cansa. Cansa estar o tempo todo vigilante, alerta, apressado pelos horários e compromissos, cobrar, entregar no prazo. E, em algum momento, fiz-me inconformada, fiz-me insuportavelmente positiva. E desafiei o cansaço, a ditadura do meu próprio medo de ser um pouco mais livre. Questionei: afinal, há modos de simplesmente ser, nesse mundo babilônico onde todos sabem o que é correto, mas fingem não saber quando é conveniente, no qual os tons de cinza apenas servem à quem dita o que é branco e o que é preto?

Eu encontrei a minha liberdade em meio a tanta injustiça. Sobre meus próprios pés, percebi que podia ir mais rápido que meu pensamento e finalmente esvaziar as ideias durante aqueles minutos de corrida. O tempo passou e eu quis ir mais longe. Acasos e pessoas especiais me guiaram à plenitude da minha vida livre de muito do que me fazia mal. E , no Dia Mundial Sem Carro, consigo a inspiração para contar, nessas linhas, que hoje eu levo minha liberdade para passear de bicicleta.

Ela vai de mãos dadas com a minha felicidade. Inabaláveis, as duas seguem sem se importar com caras feias, gente rancorosa e narizes torcidos. Sobre as duas rodas desse objeto que poderia muito bem ser, de tanto que inspira sentimentos, tudo isso fica no mais rebaixado plano, sobreposto pelos sorrisos das crianças que apontam e desejam estar ali, pela serotonina, pelo vento no rosto, pelo bem-estar, pela certeza pessoal de que aquela escolha muda muito no mundo, pelo prazer de ir e voltar sem estresse, pela música que acompanha baixinho, pelos cheiros e as cores antes despercebidos, pela extrema, genuína, incrível sensação de ser livre.

É claro que a liberdade não exclui os problemas e vivo pedalando por aí preocupada com ônibus tirando fina e motoristas egoisticamente apressados (dos quais, não muito tempo atrás, já fiz parte). Mas pedalo com um sorriso no rosto e uma certeza na mente:  minha bicicleta, minha Magrela, que se encaixou tão bem na minha rotina de dois empregos e meia hora de almoço, me faz economizar com gasolina, academia e rugas,  essa maravilha do design em prol da mobilidade me abriu caminhos maravilhosos, cujos trajetos descubro com muita vontade e energia, sem me importar muito com o que tem no fim da estrada. Em cima da bike, o destino é a própria viagem.

Pedalo porque quero. Porque gosto. Porque curto. E também porque preciso, afinal, todo amor necessita cuidados. Torço para que cada um consiga descobrir na vida o que lhe libertará a mente. Passamos tanto tempo buscando a felicidade que nos esquecemos de percebê-la logo aqui, do lado da gente. No meu caso, ela está também sobre duas rodas.

#vádebike

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