Na beirada

Hoje quero falar sobre respeito. Ou a falta dele, pra especificar melhor. Talvez eu esteja mais exposta – afinal, pelo menos 3 vezes por semana passo agora alguns bons minutos em cima da bike, com os cabelos ao vento e as pernas à vista. Ou pode ser que a idade esteja me tornando mais intolerante mesmo. O suficiente para dar voz a toda revolta que me acompanha há tempos.

Sempre me incomodou muito não conseguir determinar o ponto em que os homens se viram no direito de acuar uma mulher simplesmente pelo fato de ela existir ali. No meu mundo, isso nunca teve o menor cabimento.

Na minha família de três mulheres, meu pai foi o pilar sobre o qual construímos nossa personalidade. Em todos os momentos da minha vida, ele nos apoiou, deu-nos palavras de incentivo, acreditou em nosso potencial, proporcionou todas as ferramentas para que fizéssemos crescer nossas ambições e aplaudiu nossas conquistas. Um herói humilde, sorridente, carinhoso e cheio daquela razão que só os justos possuem.

Minha mãe não fez por menos: serviu de exemplo de força, de luta, de perseverança e de austeridade. Mostrou direitinho que nosso papel no mundo era grande, mas que precisaríamos nos esforçar para alcançá-lo e, depois, mantê-lo. Foi, ainda é, a referência inabalável de que a vida pode ser muito boa se seguirmos pelo caminho certo, mesmo que não seja o mais fácil na maioria das vezes. Tudo isso sem deixar de nos acordar, a mim e à minha irmã, com um copo de leite morno com chocolate.

Então, não. Não aceito, não concordo e não me submeto à falta de respeito. Sou uma mulher que segue todos os dias da casa para o trabalho, de um trabalho para o outro, e de lá volta satisfeita, apesar do cansaço, e não tolero mais a falta de educação, de hombridade, do mínimo de noção que seja, em parece que a maioria dos homens do mundo.

Tenho um recado a todos esses homens.

Eu e todas as mulheres do mundo somos suas namoradas, amigas, irmãs, mães, avós, tias e primas. Cada uma das mulheres importantes em sua vida. Não faça com que precisemos sentir medo de viver nossa liberdade nem com que precisemos nos esconder. Admire nossa beleza sem ser rude, sem parecer um animal idiota que não enxerga o valor da dignidade nem se ela fizer acampamento na porta da sua casa. Seja capaz de cumprimentar essa mulher que passa com um sorriso no olhar, não com olhos de gula. Não ultrapasse a tênue linha que separa o seu direito de falar do meu direito de não escutar. Expresse-se com um mínimo de amor… E deixe que sejamos em paz.

 

“A inteligência sem amor te faz perverso
A vida sem amor…não tem sentido”. (Autor indefinido)

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2 Comentários

Arquivado em infância, pensamentos, rotina

2 Respostas para “Na beirada

  1. Gustavo

    Se isso não acontecesse não seriamos homens. faz parte…
    E não é por isso qui vc deve deixa de mostrar suas lindas pernas e cabelos ao vento.

  2. cyribeiro

    Bianca, vc escreve muito bem e disse tudo o que eu gostaria de dizer.
    Infelizmente, seres como o que se manifestou como o Gustavo (acima), ainda não enxergam o mundo como um todo. Eles agem com a conveniencia da cultura machista, ainda predominante.
    Um dia eles evoluirão. Se forem capazes.

    Amei seu blog. Beijos!!!

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