Arquivo do mês: dezembro 2011

Ninguém como você

Letras de músicas sempre me fizeram refletir. Sempre. Sou uma mulher de palavras desde a meninice. Já perdi a conta de quantas vezes passei a gostar de uma música por causa da letra, e parei de ouvir tantas outras pelo mesmo motivo. As canções começavam a frequentar minha playlist depois de um fato marcante e durante uma fase específica, só porque a letra tinha tudo a ver com o que eu sentia, pensava e queria mais do que tudo gritar, por pra fora, extravasar, mas não me permitia. Passei a vida usando músicas e as palavras do compositor, que eu suspeito muito ter o poder de ler mentes, como terapia pra um sofrimento que era só meu e eu ficava feliz, obrigada, por não precisar ser fraca nem mesmo se a música estivesse tocando no meio de uma multidão.

Com essa, foi bem diferente. Foi completamente o contrário. Quando eu parei pra prestar atenção em Someone Like You pela primeira vez, não fez sentido. Não havia alguém que encaixasse nesse contexto. Meu passado me condenava e eu não queria ninguém igual a nenhum ex, fosse rolo, namorado, peguete, amigo colorido, paixão platônica, nenhum ex. Queria alguém que fosse nada como eles. Exagerado assim mesmo. Não me entenda mal, não sou tão insensível assim, mas viver no luto nunca foi comigo. Apagar as lembranças é impossível, só que construir um futuro sem deixar o passado quieto lá, no lugar dele, também é uma missão inviável. Então, eu me recusei a ser essa menina da letra. Não ia ficar remoendo o que poderia ter sido e buscando tantos “ses” em pobres mortais que eu insistiria em encaixar numa forma ultrapassada.

Passa o tempo. Meu “someone nothing like you” apareceu sem maiores avisos e ficou porque não existia um “like you” com quem compará-lo, fato. Minha vida, inteira, conseguiu encaixar mais gostoso que dormir de conchinha com a inteira vida dele. E eu parei de ser a menina romântica para me tornar uma mulher amante, amada, apaixonada. Não precisava de nenhuma declaração além daquela feita a sós, não precisava de um pedido de namoro num balão, e de tão imersa em novidades e surpresas boas, sequer percebi que nossas rotinas viraram uma sem que nós precisássemos deixar de ser dois. Casar? Casar é uma formalidade, um jeito de dizer para o mundo que somos invencíveis juntos, um verbo que não assusta mais. Se isso que vivemos é casamento, que todos possam ser assim, e que parem de implicar com a nossa felicidade.

E aí, Someone Like You deu lugar a One and Only, Make You Feel My Love, Lovesong e tantas outras canções que continuam lendo meus pensamentos e contando para o mundo aquilo que eu digo ao pé do ouvido dele, durante aquele abraço que torna dúvidas, incertezas, encanações e medos todos infundados, independente de haver alguém lá fora ouvindo as minhas declarações de amor.

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