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Same changes

Crescer não é fácil. Quando achávamos que o pior havia passado, vem uma nova onda de frio na barriga, borboletas descontroladas, pressões e mudanças.

Afinal, quando se tem 18 anos, mudar de cidade de mala, cuia e coragem nas costas é aterrorizante. Mas chegamos ao nosso destino cheios de esperança e admiração, prontos para aceitar de bom grado as pessoas incríveis que encontramos no caminho e lutar bravamente conta os amores tóxicos que despedaçam nossos corações. Enfrentamos todos esses monstros com a maior dignidade e cruzamos esse vale de dualismos que é a transição entre a adolescência e a vida de gente grande.

Aí, na hora que finalmente nos permitimos respirar fundo, limpamos a poeira de tantas batalhas esperando que tempos mais tranquilos estejam por vir, vem o verdadeiro baque. As contas não vêm mais no nome de nossos pais, a faxina da casa ou nós mesmos fazemos ou fica tudo sujo, seu chefe ou seus clientes não vão aceitar desculpas do tipo “meu cachorro comeu seu projeto” e se resolvemos ficar na cama num dia de preguiça, adeus emprego.

E isso é só o aperitivo… Logo nos acostumamos e viramos os donos da situação. Mas só porque estávamos escaldados de joguinhos e amores malresolvidos, muito preocupados com nossas recém-começadas carreiras para sequer pensar em um envolvimento amoroso, BAM! A pessoa mais perfeita do mundo aparece do nada no seu caminho (ah, Lisbela, não é mesmo engraçado que o amor da nossa vida apareça justamente na nossa vida?!). Viagem para o exterior, cursos de especialização, doutorado em outro país e outros planos superpessoais começam a conviver com viagens românticas, jantares a dois, famílias, alianças, casa, filhos… E percebemos que faltava mesmo essa parte.

Porque se crescer não é fácil, imagine crescer sozinho…? Não dá. São decisões demais, responsabilidades demais, mudanças demais, alegrias demais! Algumas delas vêm só porque duas vidas se entrelaçaram sem jeito de desembaralhar, mas e daí? Quando encontramos esse tipo de companheirismo, qualquer consequência fica mais leve.

Que julguem aqueles que nunca se depararam com um amor assim. “Esse amor vai mudar você”, dizem… E sempre devolvi a sentença: o que é que não me muda? À velha máxima “a única certeza da vida é a morte”, eu acrescento hoje que não, temos outra certeza além dessa: a mudança.

As borboletas no meu estômago que o digam: “que seja sempre para muito melhor”… ;o)

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Arquivado em casamento, histórias, infância, pensamentos, tempo

Ninguém como você

Letras de músicas sempre me fizeram refletir. Sempre. Sou uma mulher de palavras desde a meninice. Já perdi a conta de quantas vezes passei a gostar de uma música por causa da letra, e parei de ouvir tantas outras pelo mesmo motivo. As canções começavam a frequentar minha playlist depois de um fato marcante e durante uma fase específica, só porque a letra tinha tudo a ver com o que eu sentia, pensava e queria mais do que tudo gritar, por pra fora, extravasar, mas não me permitia. Passei a vida usando músicas e as palavras do compositor, que eu suspeito muito ter o poder de ler mentes, como terapia pra um sofrimento que era só meu e eu ficava feliz, obrigada, por não precisar ser fraca nem mesmo se a música estivesse tocando no meio de uma multidão.

Com essa, foi bem diferente. Foi completamente o contrário. Quando eu parei pra prestar atenção em Someone Like You pela primeira vez, não fez sentido. Não havia alguém que encaixasse nesse contexto. Meu passado me condenava e eu não queria ninguém igual a nenhum ex, fosse rolo, namorado, peguete, amigo colorido, paixão platônica, nenhum ex. Queria alguém que fosse nada como eles. Exagerado assim mesmo. Não me entenda mal, não sou tão insensível assim, mas viver no luto nunca foi comigo. Apagar as lembranças é impossível, só que construir um futuro sem deixar o passado quieto lá, no lugar dele, também é uma missão inviável. Então, eu me recusei a ser essa menina da letra. Não ia ficar remoendo o que poderia ter sido e buscando tantos “ses” em pobres mortais que eu insistiria em encaixar numa forma ultrapassada.

Passa o tempo. Meu “someone nothing like you” apareceu sem maiores avisos e ficou porque não existia um “like you” com quem compará-lo, fato. Minha vida, inteira, conseguiu encaixar mais gostoso que dormir de conchinha com a inteira vida dele. E eu parei de ser a menina romântica para me tornar uma mulher amante, amada, apaixonada. Não precisava de nenhuma declaração além daquela feita a sós, não precisava de um pedido de namoro num balão, e de tão imersa em novidades e surpresas boas, sequer percebi que nossas rotinas viraram uma sem que nós precisássemos deixar de ser dois. Casar? Casar é uma formalidade, um jeito de dizer para o mundo que somos invencíveis juntos, um verbo que não assusta mais. Se isso que vivemos é casamento, que todos possam ser assim, e que parem de implicar com a nossa felicidade.

E aí, Someone Like You deu lugar a One and Only, Make You Feel My Love, Lovesong e tantas outras canções que continuam lendo meus pensamentos e contando para o mundo aquilo que eu digo ao pé do ouvido dele, durante aquele abraço que torna dúvidas, incertezas, encanações e medos todos infundados, independente de haver alguém lá fora ouvindo as minhas declarações de amor.

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