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Um papo com o Tempo

Foi como um sonho.

Tive uma conversa com o Tempo. É, o Tempo, com um T bem maiúsculo, todo cheio de si e das peripécias que apronta em nossas vidas.

Mas, dessa vez, tive alguma ajuda para conseguir trocar algumas palavras com esse senhor. Ele não me deu muitas respostas, mas ouviu com bastante paciência o que eu tinha a dizer.

Eu falei sobre as loucuras dessa vida traiçoeira, que não volta pra trás nem mostra o que há à frente. Das paixões que acabam tão rápido quanto começam. Da saudade que faz arrastar os minutos. Da ida que demora e a volta que passa muito mais rápido. Da ansiedade controlando os ponteiros do relógio. Da ditadura da pontualidade.

Assumi então, meio a contragosto, que a culpa dessa loucura do Tempo é nossa. Somos nós mesmos quem deixamos nosso cotidiano e nossa vibe intervir no decorrer das horas. Maldita sina de querer estar sempre em oitenta lugares ao mesmo tempo!

O coração divide, a mente busca e o Tempo, coitado, precisa passar como sempre, apesar de nossa pressão constante para que ele vá ora mais devagar, ora mais ligeiro, dependendo da nossa vontade de permanecer no presente ou saltar logo para o futuro.

E, para completar o balaio, estava cara a cara com o Tempo quando caiu-me a ficha sobre o passado. Como ele pesa. Como ele age como se fosse a gravidade, puxando a lembrança e forçando um rosto, uma voz, um toque que seja, a permanecer na superfície da alma. Como ele faz doer e impõe a certeza de que estamos vivendo da única maneira possível em meio a tantas possibilidades, tendo que trilhar um caminho, cegamente, sem jamais ter a chance de mudar a opção feita ou vislumbrar por um segundo o futuro depois dessa ou daquela escolha.

De repente, estou presa nas minhas memórias. Aqui, nesse espaço maluco no qual o Tempo interage comigo, eu posso vivê-las de novo. Sinto. Provo. Pego. Suspiro. Choro. Sorrio. É um presente eterno e um presente do Tempo me permitir ter de novo essas sensações.

Um feixe de luz incomoda meus olhos. E, simples assim, o momento passa, como uma brecha no tempo; um pedaço de sonho saído do sono, escapulido do nada e tomado de volta pelo devaneio ao qual pertence…

Que seja eterno enquanto dure.

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5.87’/km

O ano novo começou diferente.

Abri a janela do meu primeiro domingo de 2011 com uma certa tristeza. “Devia ter trazido meu tênis”, pensei. Mas chovia (como chove nestes dias!) e me conformei em aproveitar o descanso antes de mais 5h de estrada.

Além disso, havia prometido a mim mesma esperar até a segunda-feira para voltar aos treinos, parados já há uma semana. Isto por causa da dor. Todos têm alguma. A minha começou a me preocupar… Então, decidi dar um tempo para o corpo voltar ao normal. “Amanhã. Amanhã.”

Ainda cansada por causa das festas, tirei um cochilo no final da tarde. Acordei assustada. Sem chuva. Sorri.

Já estava tarde, mas que se dane! A primeira segundona do ano pedia, implorava, pelo vento no rosto, a respiração acelerada e a sensação de dever cumprido.

Calcei o tênis, a roupa de ginástica, ajustei meu frequencímetro, prendi o cabelo. Andei por uns 5 minutos, pra aquecer. Só aí, finalmente, dei meu primeiro passo para os primeiros 8km do meu novo ano.

"The obsession with running is really an obsession with the potential for more and more life." - Sheehan

Parece que os dias de descanso fizeram diferença! A parte anterior da panturrilha já não reclamava. O tempo no meu cronômetro parecia mais lento, mas percebi que era eu quem corria mais rápido. Outra onda de sorrisos. O cansaço não veio. Agora sim, 2011 tinha, de fato, começado!

Cheguei em casa radiante. O motivo? Meu tempo. Pela primeira vez, fiz menos de 6min/km em um treino. 8km. 47 minutos.

 

E eu que pensava que nunca os números me trariam felicidade…

Isso foi antes de começar a correr.

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